O que é a terapia por ondas de choque?
A terapia por ondas de choque é uma tecnologia utilizada no tratamento de dores musculoesqueléticas, certificada pela SBTOC (Sociedade Brasileira de Terapia por Ondas de Choque). As ondas de choque atuam estimulando a resposta de reparação tecidual e modulando a percepção de dor, sendo especialmente indicadas em tendinopatias crônicas e outras condições dolorosas de difícil resolução com tratamento convencional.
A Dra. Emanuela Pimenta, reumatologista em Salvador, é certificada em terapia por ondas de choque pela SBTOC e utiliza o recurso como parte de sua estratégia de intervenção em dor.
Como funciona o tratamento
O equipamento emite ondas acústicas de alta energia que são direcionadas à região afetada. Esse estímulo mecânico promove microtrauma controlado no tecido, desencadeando uma resposta inflamatória localizada que favorece processos de reparação e neovascularização (formação de novos vasos sanguíneos), além de atuar na modulação de fibras nervosas relacionadas à percepção de dor.
Uma revisão publicada em 2023 na revista Healthcare descreve que, embora as ondas tenham efeito mecânico, o mecanismo principal é biológico, por um processo chamado mecanotransdução, em que o estímulo mecânico é convertido em sinais celulares. Os próprios autores ressaltam que esses mecanismos ainda não são conhecidos em profundidade e que a qualidade da evidência precisa continuar melhorando.
Quando a terapia é indicada
- Tendinopatias crônicas, como tendinite calcária do ombro e tendinite do cotovelo (epicondilite).
- Fascite plantar, causa comum de dor no calcanhar, especialmente nos primeiros passos pela manhã.
- Dores musculoesqueléticas persistentes, que não respondem adequadamente ao tratamento conservador isolado.
- Pontos-gatilho miofasciais, em casos selecionados de dor muscular crônica.
A mesma revisão reúne evidência para tendinopatias de diferentes regiões (cotovelo, quadril, joelho, tendão do calcâneo e ombro com calcificação), fascite plantar e outras queixas, como dor miofascial e artrose. Isso não significa que todo paciente com esses diagnósticos seja candidato: a indicação parte sempre do exame clínico e, quando necessário, do exame de imagem. Para entender as condições mais frequentes, veja a página sobre tendinite e bursite.
Ondas de choque, laser e campo eletromagnético: o que muda entre os recursos?
São três tecnologias distintas de intervenção em dor, que podem ser usadas isoladamente ou combinadas. A tabela resume as diferenças gerais descritas nas páginas e na literatura citada.
| Aspecto | Ondas de choque | Laser de alta intensidade | Campo eletromagnético |
|---|---|---|---|
| Energia utilizada | Ondas acústicas de alta energia | Luz em comprimento de onda específico | Campos eletromagnéticos direcionados à região |
| Ação descrita | Estímulo à reparação tecidual e modulação da dor | Ação sobre a inflamação e modulação da dor no tecido | Suporte ao controle da dor e à recuperação funcional |
| Sensação na sessão | Desconforto leve a moderado, sem anestesia | Indolor, em geral com sensação de calor leve | Indolor e não invasivo |
| Cuidados e contraindicações gerais | Infecção ativa, tumor na área, gestação, alterações de coagulação e anticoagulantes | Definidos na avaliação clínica individual | Marcapasso e outros dispositivos implantados, entre outras condições |
| Evidência citada | Revisão de 2023 aponta evidência para várias tendinopatias e fascite plantar | Meta-análise de 2023 aponta melhora de dor e função, com qualidade de evidência baixa a moderada | Meta-análise indica benefício em artrose de joelho e de mão, com resultados heterogêneos |
Detalhes de cada recurso estão em laser de alta intensidade e em campo eletromagnético. A escolha entre eles não é feita pelo paciente: depende do diagnóstico, da região e da resposta a tratamentos anteriores.
O que esperar do procedimento
A sessão é realizada em ambiente ambulatorial, sem necessidade de anestesia, embora seja comum sentir desconforto leve a moderado durante a aplicação. Não há necessidade de afastamento das atividades diárias, embora orientações específicas de repouso relativo possam ser dadas conforme a região tratada.
A revisão citada comenta que a aplicação sob anestesia local não demonstrou vantagem sobre o placebo em um dos estudos analisados, o que sustenta a prática de aplicar sem anestésico, aceitando o desconforto. O número de sessões e o intervalo entre elas variam entre os protocolos descritos e são definidos para cada paciente. O efeito tende a aparecer de forma gradual, e o resultado costuma ser reavaliado semanas ou meses depois, não imediatamente.
Limitações e contraindicações
As ondas de choque não são indicadas para todos os casos. Contraindicações incluem infecção ativa na área, presença de tumores, gestação na região a ser tratada, distúrbios de coagulação não controlados e uso de determinados anticoagulantes. A avaliação prévia detalhada é indispensável para definir se o paciente é um bom candidato ao tratamento.
A literatura cita ainda a aplicação direta sobre a placa de crescimento de crianças e adolescentes e regiões com tumor maligno ou metástase como situações em que o método é contraindicado. Na ruptura completa de tendão, o tratamento em geral não é recomendado, e esse ponto é avaliado caso a caso.
As ondas de choque são um recurso complementar dentro de um plano de tratamento mais amplo, nunca substituindo o diagnóstico correto da causa da dor.
Quais efeitos adversos podem ocorrer?
A revisão de 2023 conclui que o método é seguro, com poucos efeitos adversos relatados na maior parte dos estudos. Intensidades altas aumentam o risco de hematoma local, e a dose excessiva pode aumentar tanto os efeitos indesejados quanto a chance de o tratamento não funcionar. Por isso a energia aplicada é ajustada à tolerância e ao diagnóstico de cada paciente.
Quando procurar avaliação em Salvador
Se você convive com dor persistente em tendões, como no ombro, cotovelo ou calcanhar, que não melhorou com tratamento convencional, a avaliação para ondas de choque pode ser indicada. O procedimento é realizado no consultório da Dra. Emanuela Pimenta, na Clínica Ceder, Caminho das Árvores, Salvador.
Dor de tendão que não melhora? Avalie o tratamento com ondas de choque.
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